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Enviado por museu em 23/03/2011 16:00:00 ( 1948 leituras )

Desde que me tornei pesquisador cultivo o desejo de contar a história do bairro em que nasci a partir da memória das pessoas que lá residiam, especialmente aquelas que eu conhecia e das quais ouvira muitas histórias interessantes.

 

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Por muito tempo não vi possibilidades de fazê-lo, mesmo colecionando uma série de anotações e recortes de jornais. 

 

Vivi no Jardim Montanhês por 27 anos ou, principalmente, parafraseando Carlos Drummond, nasci no Jardim Montanhês, quando este se chamava Villa Minas Gerais e era um recanto espremido entre o Aeroporto Carlos Prates e o córrego do Pastinho, uma verdadeira roça no seu sentido mais puro mesmo estando a apenas a 5,5 km da Praça 7 de setembro, ponto central de Belo Horizonte.


Certa ocasião, já tendo criado o Escritório de Histórias, fui convidado para falar sobre o meu trabalho para um grupo de terceira idade do Jardim Montanhês e, como eu era de lá, passei a ir às reuniões semanais às sextas-feiras com a minha equipe na tentativa de fazer um trabalho de memória com o grupo. Nele, além da minha mãe que era participante, havia também mães de amigos meus que já não moravam mais no bairro. De fato, quase ninguém daquele grupo era estranho a mim e, muitos deles ainda se lembravam das minhas peraltices na região.
Como estava montando o primeiro site do Escritório de Histórias, conversei com minha equipe e com o desenvolvedor sobre a possibilidade de abrir espaço no ambiente do site para abrigar a história do bairro, utilizando a ferramenta da hora, a Internet. Ainda com a tecnologia em desenvolvimento nos pusemos a campo, todos motivados e passamos a gravar depoimentos dos moradores utilizando técnicas da História Oral e a recolher fotos e documentos.

 

Eu mesmo descobri com meus familiares importantes documentos que marcavam a provável data de criação da Villa. Além disso, as histórias começaram a chegar espontaneamente por diversos canais, entre elas minha tia Chica, minha mãe, meu amigo Francisco, dona Tanana, e muitas outras personagens, entre elas o saudoso Manoel Gomes, um apaixonado pela Villa e que com ela sempre teve compromisso de melhorias.

 

Desenterramos muitas boas memórias e fomos colocando no site até que ele não deu mais conta pelas constantes mudanças de tecnologia e a necessidade de atualização que não conseguimos acompanhar. Assim, o Museu Virtual do Jardim Montanhês saiu do ar, não sem antes ser agraciado com inúmeras reportagens de jornais e canais abertos de TV de Belo Horizonte e de um diploma como responsabilidade social pela Ancham-SP, além de vários convites para desenvolvermos o mesmo projeto em outros bairros.

 

Encantados com a recepção do projeto, com a quantidade de e-mails e de pessoas interessadas, registramos o domínio www.museuvirtualbrasil.com.br para abrigar histórias de outros bairros. Dois deles, Barreiro e Pampulha nós chegamos a formatá-los e enviá-los à Lei Federal de Incentivo. Foram aprovados, mas, infelizmente não conseguimos captar os recursos necessários. Há dois anos, após termos aberto escritório em Brasília, decidimos que seria interessante retomar a ideia do Museu Virtual e incluir como relançamento a capital federal. Aprovamos o projeto na Lei Rouanet em 2010 e, ufa, finalmente conseguimos parte do patrocínio da empresa mineira Tambasa e agora, colocamos no ar o Museu Virtual de Brasília que será apenas o primeiro de muitos que virão. Iremos retomar o acervo do Jardim Montanhês e colocar no ar também o da Pampulha. Coincidentemente esses três lugares estão ligados pela figura de JK, construtor de Brasília e da Pampulha. Sua ligação com o Jardim Montanhês me bateu recentemente ao ver o Filme “Bela noite para voar” de Zelito Viana, baseado no livro de mesmo nome do mineiro Pedro Rogério Moreira. Nele, narrou o autor, JK, vindo de Brasília para Belo Horizonte, foi boicotado por oficiais da Aeronáutica que ensaiavam um golpe. Ele então, numa ação comandada por uma bela moça conhecida por “Princesa”, conseguiu descer em segurança, à noite, na pista do Aeroporto de Carlos Prates iluminada por faróis de carros de praça da região. Para quem não sabe, o tal aeroporto fica mesmo é no Jardim Montanhês, o bairro em que nasci e, nessa época, 1958, eu o cruzava todos os dias para ir ao Grupo Escolar Professor Moraes que ficava do outro lado, na Vila Celeste Império.

 

 

Osias Ribeiro Neves
Idealizador do Museu Virtual de Brasília

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